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novo blog meu. um pouco melhor que esse. posso mexer mais no layout e outras vantagens.
http://afonsotrabalhos.blogspot.com/
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 08h36
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O que é a porta? Um vão. Mas um vão que separa dois domínios: o domínio dos deuses e o dos mortais – a porta do templo; o domínio da vida privada e o da vida pública – a porta da casa; a cidade e o campo – a porta da muralha. Ora, a passagem de um lugar a outro é tão perigosa como a de uma época a outra. Van Gennep notou-o muito bem a propósito dos primitivos em seu livro célebre sobre Os ritos de passagem: há ritos de entrada e ritos de saída – e tudo isso vale tanto para os modernos como para os antigos. O muçulmano deixa os sapatos ao entrar na mesquita; o católico tira o chapéu, molha os dedos na pia de água benta, faz o sinal da cruz – e a gente simples declara que não se deve jamais sair da igreja pela mesma porta pela qual se entrou. E tudo isso vale ainda para a porta da casa como para a do templo. Não é à toa que, em certos países, o recém-casado toma sua jovem esposa nos braços ao transpor a soleira da casa, assim como existe todo um ritual de entrada quando se recebem visitas.
Roger bastide

Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 15h33
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Clóvis Irigaray - xinguanas
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 20h51
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Minha mão estende ao dourado
os olhos se confundem com o corpo
Habito numa roda. Dou-me conta da terra Sempre que olho pelo abismo vejo o movimento da busca.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 12h27
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Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 12h17
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Anotações sobre o livro de Michel Serres - Filosofia para os cinco sentidos.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 12h16
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Lisbeth Rebolo é uma grande estudiosa. Assisti uma palestra dela aqui em Cuiabá no Palácio da instrução.
ótimo livro para quem está atento aos novos conceitos de museu e exposições.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 12h14
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Por que Dioniso causa tanta estranheza?
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 21h03
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XVII dinastia
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 22h02
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ORIGEM DO SOL E DA LUA
(ÍNDIOS CAUAIUA/PARINTINTIN/VALE DO RIO MADEIRA/AM)
Baíra foi quem criou o Sol e a Lua.
O Sol é homem.
A Lua é mulher.
Baíra fez o membro do Sol da raiz da paxiúba.
E fez da raiz do apuizeiro uma veia que pôs no sexo da Lua.
Dessa veia saía sangue.
E levou os dois para o céu.
O Sol, porque é homem, sai de dia.
A Lua, porque é mulher, sai de noite.
Os homens, na terra, são como Sol.
As mulheres são como a Lua.
Foi Curt Nimuendaju em 1923, o primeiro a fazer contato com a tribo guerreira dos Parintintin e os descrevia da seguinte forma:
-"Ao todo a maioria desses rostos é regularmente bonita com os seus traços firmes e a expressão agradável e inteligente. Havia fisionomias atrevidas, mas não ferozes e brutais. Nunca vi um Parintintin, francamente feio, e, em relação ao seu físico, esses índios pertencem aos mais simpáticos que conheço."
Os Parintintin viviam entre o rio Madeira e seus afluentes, Marmelos e Machado e tornaram-se, na infância de nossa história, o flagelo da população civilizada. Nas suas correrias anuais, esses indígenas derramaram terror, morte, saque, incêndios no meio do civilizado. Esses, em contrapartida, em represália, sempre se comportavam pior que seus adversários selvagens. Foi, inclusive, pensado em exigir-se seu total extermínio. Açularam contra eles seus velhos inimigos, os Mundurucu, mas apesar de todas as estratagemas, a força guerreira dessa valente tribo não diminuiu. Foi então, cogitada a sua pacificação, que foi confiada a Curt Nimuendaju, então funcionário do S.P.I., que foi, aliás, uma escolha acertadíssima. Entretanto, em 17 de janeiro de 1923, sem recursos para concluir seu trabalho, foi dispensado.
Os índios Parintintin foram posteriormente conduzidos a "Três Casas", um seringal de propriedade de Manuel Sousa Lobo onde assentaram-se. Durante esse movimento foram acometidos de pneumonia e paludismo, ocorrendo inúmeras mortes.
Os Parintintin, segundo a sua mitologia, tratava-se de um povo tangido do litoral atlântico que embrenhou-se na Amazônia, em fuga à sanha dos conquistadores lusos, franceses e holandeses.
Hoje, esse povo indígena, constituídos por apenas duas centenas de indivíduos, habitam duas reservas contíguas nos rios Ipixuna e Nove de Janeiro, afluentes do Rio Madeira nos municípios de Auxiliadora e Humaitá (AM). Vivem do abate de árvores, para o comércio de madeiras, comercializam castanhas, sacrificam os animais silvestres para as indústrias, sempre acompanhado no seu destino, de decepções e esperanças de um dia melhor, destino também do próprio Estado do Amazonas.
Bonitos, guerreiros sensuais, libidinosos, românticos, inteligentes e irônicos, todos esses aspectos são comprovados quando se obtêm contato com seus mitos e lendas.
Na lenda da origem do Sol e da Lua, é obtida uma visão simbólica do masculino/feminino. Sol e Lua foram e ainda são, os adjetivos utilizados para denotar os pólos de uma unidade psicológica complexa. O Sol, por sua luz brilhante, estabelece uma relação perfeita com o princípio masculino, a razão. O masculino é censor, regulador, repressor, discriminador, racional, penetrante, organizador, valores que foram implantados e esculpidos pelas mãos de uma longa tradição coletiva. É o Sol que nos desperta da noite da inconsciência para a vida consciente.
O Sol então, nada mais é do que um arquétipo que estabelece padrões básicos de comportamento humano, que embora não funcione de maneira exatamente igual à todas as pessoas, existem pelo menos indícios dos mesmos em cada ser humano.
Já a Lua nos traz outros tipos de valores que brotam do inconsciente, da natureza e do instinto. Esse astro está associado à intuição, que não segue parâmetros lógicos. A Lua, como símbolo feminino é obscura, inexata, imprevisível, irregular, irracional, atemporal, valores que se manifestam via inconsciente, em sonhos, complexos, eventos espontâneos, anseios instintivos, e ainda através das inibições que se encerram nesses anseios.
O Sol e a Lua, como homem e mulher, formariam o casal cósmico que agenciariam a mudança e transformação da vida, pois embora pareçam tão diferentes, são na verdade complementares e ao somarem-se é alcançado o equilíbrio.
Toda a unilateralidade é perigosa. A consciência solar solitária é um atributo fortemente negativo, pois pode assumir a forma ou a atitude de um tirano primitivo e com seus raios fustigantes de reprovação pode ressecar ou assassinar o ego. A consciência lunar também contém facetas malévolas. A Lua tem suas fases e, na escura inflige um grande temor, pois nos causa uma alienação ou desagregação que nossa própria natureza, nos causando sintomas psicossomáticos e até mesmo enfermidades.
Só a alternância da consciência SOL/LUA nos proporciona a totalidade, ou seja, é através do embate dessas polaridades no seio de nossa consciência, que somos forçados a encarar e admitir o mistério do que significa ser plenamente humano.
Esses conceitos de "consciência solar" e "consciência lunar" são bastante conhecidos pela psicologia da atualidade, mas já eram percebidos e mencionados na mitologia indígena.
Assim como o Sol e a Lua, o homem e a mulher encontram várias formas de se relacionar, sem desrespeitar suas diferenças. A aceitação das diferenças é a condição básica para um relacionamento criativo.
Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 18h19
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BACO APRISIONADO
Assim que Baco, filho de Júpiter e de Sêmele, nasceu da coxa do próprio pai, este chamou Mercúrio e ordenou-lhe que levasse o garoto para ser criado pelas ninfas do Nisa, um lugar ameno e paradisíaco.
— Lá ele estará em perfeita segurança — disse Júpiter, com alegria.
O pequeno Baco foi entregue às ninfas e também a um estranho e divertido ser chamado Sileno, filho do deus Pã, que se tornou o pai adotivo do futuro deus das vinhas.
Durante seus primeiros anos Baco participou, junto com Sileno — sempre bêbado e a cair de cima de seu inseparável burrico -, de toda espécie de brincadeiras. Mas se o velho Sileno sabia ser brincalhão — e mesmo irresponsável, muitas vezes -, também sabia demonstrar que era dono de profundos conhecimentos, que sua aparência exótica e pouco respeitável podia fazer adivinhar.
— Deixe que falem — hic! — o que quiserem! — dizia Sileno, erguendo-se do são. amparado pelo jovem pupilo. — Sileno sabe mais — hic! — que todos os sabichões da Terra...
Um dia o jovem Baco, vestido com seu manto púrpura, resolveu ir até a praia e lá adormeceu. Neste ínterim havia se aproximado da costa um grande navio — na verdade, um navio pirata — que andava à caça de nova presa.
Um grupo de marinheiros desceu à terra para buscar água, e quando estes pisaram nas areias claras deram de cara com o belo rapaz adormecido. Sua tez delicada, seus lábios rubros e o todo mais de sua aparência denunciavam que seria filho, ao menos, de um senhor poderoso do lugar. Quem sabe, até, do próprio rei.
— Vamos levá-lo conosco — disse o mais rude daqueles homens. — Poderemos pedir por ele um belo resgate.
Entretanto, o timoneiro, Acetes, tinha bom olho para as coisas divinas e percebeu logo que o garoto tinha algo de estranho.
— Deixemos o rapaz em seu lugar e vamos embora de uma vez — disse ele -, pois não pressagio nada de bom desta aventura.
— Virou Cassandra, agora? — disse Lícabas, o mais feroz e impiedoso dos piratas, com uma gargalhada assoprada que fez espirrar no rosto do pobre timoneiro uma chuva de seus perdigotos podres.
Acetes, conhecedor do estratagema do vilão, deixou para limpar depois o produto infecto da boca do asqueroso Lícabas, pois sabia perfeitamente -já vira, na verdade, por duas vezes acontecer o mesmo — que limpar o rosto diante dele era decretar a própria morte.
O garoto foi, então, embarcado, mas não à força, porque não opôs nenhuma resistência contra seus raptores. Estranhamente calmo, Baco só fazia observar docilmente aqueles homens sujos e cruéis.
"Verdadeiramente é um deus!", pensava o bom Acetes, observando o rapaz.
— Dirija direito este troço! — disse uma voz ao seu lado. Era um dos piratas, que fora destacado pelo próprio Lícabas para vigiar o timoneiro.
Enquanto isto, Lícabas, que fora se tomando cada vez mais de antipatia pelo jovem deus, ordenou de repente a um de seus marujos:
— Amarrem esta mocinha! — disse, acentuando bem a última palavra. E antes que dessem cumprimento a sua nefanda ordem, aproximou bem a horrível carranca do rosto delicado de Baco.
— Frisou hoje cedo os lindos caracóis, menina loira? — disse o sórdido Lícabas, arreganhando a horrível dentadura, na qual se podiam perceber três dentes acavalados a disputarem o mesmo espaço.
Depois, tomando sua faca, enrolou um dos cachos loiros sobre o fio, como se fosse frisá-lo, mas os fios partiram-se.
— Ora, menina, que pena! — disse. — Eu só ia fazer mais um cachinho... Um jato de perdigotos explodiu da boca de Lícabas, como a onda esbatida
que o vento impele, no inverno, sobre a costa pedregosa — mas, curiosamente, nenhuma das gotas apodrecidas foi alojar-se no rosto do jovem Baco.
— Cadê a corda, sardinhas regurgitadas pelo gato? — perguntou Lícabas, que mudava de espírito como o céu muda durante o verão abrasante.
Um boçal bem mandado surgiu carregando um rolo áspero de cordas.
— Deixa ver — disse Lícabas, esfregando um pedaço sobre a parte interna do braço. — Não serve; traga outra!
Um rolo de fios de cobre espetado surgiu, nos braços do mesmo homem. Depois de testá-lo, o vil Lícabas aprovou.
-Amarrem-no, já!
Três homens fortes tomaram da corda e enrolaram Baco num abraço odioso. Mas, coisa estranha!, tão logo terminavam de fazer os nós, eles se desmanchavam como por encanto, e a corda caía aos pés de todos, sem provocar o menor arranhão na vítima.
— Imbecis! — disse Lícabas. — Tratem de fazer um nó decente ou mandarei dar um nó nas tripas de cada um de vocês!
Trinta nós foram feitos, e os mesmos trinta nós desfeitos, até que o sol caísse. De repente, porém, o navio parou em meio ao mar. Parou, simplesmente. Ninguém sabia explicar o motivo.
— O vento cessou de todo — explicou Acetes ao capitão, temendo uma reação brutal.
— Então dêem nos remos! — ordenou Lícabas, que sabia dividir o instante das punições com o instante da ação.
Os remos foram lançados com estrídulo à água, mas na mesma hora viram-se enrolados por um emaranhado de algas. Ao mesmo tempo começou a subir pelo mastro a folhagem espessa das vinhas, que se espalhou por todo o convés.
— Vejam, está chovendo! — disse um dos marinheiros, estendendo a mão.
Mas não era uma chuva normal, e sim uma chuva de vinho, que num instante cobriu todos de vermelho. Alguns, é verdade, gostaram da peça e abriam suas bocas para receber o produto da grande nuvem vermelha pairada acima do barco. Mas quando Lícabas, que não era homem para graças, enterrou uma espada dentro da garganta do primeiro, a brincadeira acabou-se ali.
Baco, misteriosamente, tinha agora ramos da vinha pendurados atrás das orelhas e portava em sua mão um grande tirso, com a ponta encimada por uma enorme pinha. Como quem rege um concerto de flautas, Baco agitava o seu cetro, com um sorriso alegre estampado no rosto — o sorriso da embriaguez divina!
O convés encheu-se, também, de animais silvícolas, enormes e assustadores. Enormes felinos espalhavam-se por todo o barco — tigres, linces e um jaguar que parecia divertir-se imensamente com aquilo tudo -, o que tomou os marinheiros de pavor.
— Verdadeiramente, este rapaz é um deus ou um demônio! — exclamou um deles, lançando-se borda afora. Muitos outros o seguiram, mas tão logo alcançavam a água, viam seus corpos mudarem abruptamente para algo inumano.
Lícabas, o último que relutava, ainda, em abandonar o barco, de repente começou a perder o equilíbrio.
— Mas o que é isso? Maldição! — disse, enquanto observava seus pés unindo-se por uma estranha membrana, quase transparente. Suas pernas também foram perdendo o pêlo espesso que as recobria e tornando-se lisas como a pele de um peixe.
Num último instante, antes de enlouquecer, o sórdido Lícabas chegou a achar graça daquela estranha metamorfose que se operava em si próprio.
— Estarei enlouquecendo, então? — exclamou, dando sua última gargalhada. Mas não foi de sua boca que saiu, desta vez, o infame jato, mas de uma
protuberância instalada bem no alto de sua cabeça. Lícabas, bem como todos os seus homens — à exceção do bom Acetes -, haviam se transformado em golfinhos, que tubarões ferozes perseguiam em alucinante disparada.
— Sou Baco, deus do vinho e da alegria! — disse o jovem, com os olhos refulgentes, ao timoneiro. — Leve-me de volta e instaure um templo, em meu nome, em todas as terras por onde andar, para que se possam celebrar neles os meus sagrados ritos.
Assim se fez, e desde então Baco obrou ainda muitos e mil outros prodígios.
As
MELHORES
HISTÓRIAS DA
MITOLOGIA
Deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana
A. S. Franchini / Carmen Seganfredo
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 09h54
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O NASCIMENTO DE BACO
A princesa Sêmele, filha de Cadmo e Harmonia, estava deitada em seu leito. Estava só, mas ao seu lado ainda havia a marca profunda de um corpo — o corpo de um deus. De fato, Júpiter, o mais poderoso dos deuses, estivera até há pouco gozando dos prazeres que lhe proporcionara sua mortal amante.
— Béroe! — disse Sêmele, espreguiçando-se. Um raio cálido de sol que entrava pela janela de cortinas balouçantes acariciou seu ventre.
Alguns instantes de silêncio.
— Béroe, surda! — gritou Sêmele, apoiada aos cotovelos. Uma velha criada entrou apressada.
— Desculpe, minha ama...
— Béroe, esta noite foi verdadeiramente divina... — disse a jovem, sorrindo. "Então é tudo verdade!", pensou Juno, pois era a esposa divina de Júpiter quem estava ali, metamorfoseada na velha criada de Sêmele.
— Vamos, ajude-me a me vestir — disse a jovem, erguendo-se.
— Desculpe, ama, me intrometer em tais assuntos — disse Juno disfarçada -, mas está certa, verdadeiramente, de que este homem que priva de seu leito todas as noites seja mesmo Júpiter, o deus supremo?
— Que diz, Béroe? — exclamou Sêmele, enrubescendo. — Um homem, ele? Sua tonta, nenhum mortal poderia amar uma mulher como este divino ser! Homem algum teria o seu toque misterioso, nem beijo algum teria a volúpia que ele, Júpiter, põe em seus divinos lábios...
Sim, Juno sabia perfeitamente de tudo isso. "Mas as carícias que ele lhe dá nunca serão mais do que o mero produto de um instante, estando sempre conspurcadas pelo susto e pelo medo de um terrível castigo", pensava Juno, tentando vingar-se mentalmente da adversária. Entretanto, desconfiava em seu íntimo, mesmo sem dar-se conta claramente disto, de que justamente ali poderia estar uma parcela do encanto e das delícias que ela, esposa legítima, jamais poderia desfrutar.
— Mas existem tantos homens, bem, digamos... — disse a falsa Béroe, fingindo escolher o termo certo -... tão hábeis, minha ama, que às vezes nós mulheres, frágeis e tolas que somos, deixamos nos enganar com humilhante facilidade...
— Não diga tolices, Béroe — disse Sêmele, entregando as vestes à velha e lhe dando as costas nuas. — Vamos, vista-me.
— Eu mesma, minha ama — prosseguiu Béroe, sem dar atenção às reprimendas -, quantas vezes fui ludibriada por homens que me pareceram deuses.
— Você?! — exclamou Sêmele, com um riso escarninho. — Você, Béroe, amada por um deus? Rá!
Sêmele, contorcendo-se de riso, impedia que a ama lhe cobrisse o corpo, e embora Juno soubesse que o deboche não fora feito a ela, ainda assim sentiu-se tomada pelo rancor — tal o poder que uma afronta, mesmo feita por engano, pode ter sobre a vaidade feminina. Enquanto escutava o riso, sem poder concluir sua tarefa, Juno percebeu nas costas da jovem as marcas inequívocas que o amor deixara em sua — sim, ela tinha de admitir — nudez perfeita. Juno tinha diante de si o mapa exato do país da traição: cada mancha arroxeada que Juno encontrava sobre aquela alva pele simbolizava uma província do prazer que Júpiter, auxiliado pelos desvelos da amante, havia descoberto e marcado em seguida com a mesma ganância do explorador que descobre um lugar paradisíaco e instala com fúria o seu marco a fim de deixar bem clara a sua posse exclusiva.
Sêmele fez menção de virar-se, mas a falsa Béroe não lhe permitiu; temia ver em que outros lugares infames poderiam estar depositadas aquelas manchas.
— Vamos, minha ama, deixe-me vesti-la — disse a criada, introduzindo a veste pela cabeça, como quem ensaca algo que deseja ver logo ocultado.
— Calma, Béroe, não se zangue... — disse a jovem, ainda tomada pelo acesso de hilaridade.
— Peça-lhe uma prova... — disse Béroe, com voz insinuante.
— O quê?
— Peça a ele uma prova, cabal e definitiva, de que ele é mesmo quem afirma ser.
— Mas que prova melhor poderia Júpiter me dar, além das que já tenho? -disse Sêmele, já vestida, abraçando-se com braços fingidamente alheios.
— Você sabe que os deuses usam uma forma humana apenas para se relacionar com os mortais — disse a Juno disfarçada. — Peça, então, que ele se mostre para você em todo o seu divino esplendor. Sêmele ficou alguns instantes pensativa, enquanto Béroe penteava, fio a fio, os seus longos cabelos. — Está bem, lhe pedirei a tal prova! — disse a bela filha de Cadmo.
— Apenas não esqueça de uma coisa — disse a velha, com um sorriso pérfido no escondido rosto -, deve fazer antes com que ele jure pelo Estige que não lhe negará qualquer pedido.
— Por que pelo Estige? — quis saber a jovem.
— Porquê este é um juramento fatal, ao qual os próprios deuses estão submetidos — disse Juno, em tom solene. — Todo aquele que jura pelo rio infernal deve cumprir rigorosamente com a sua palavra, e nem mesmo Júpiter tem poder para transgredi-la.
Dito isto, a falsa Béroe afastou-se, e Sêmele ficou entregue aos seus próprios pensamentos. Quando a noite chegou, Júpiter reapareceu, como de costume. -Júpiter, meu amado! -disse a jovem, lançando-se a seus braços.— Desde que você começou a vir até mim, nos braços da noite, que eu nunca mais soube dizer, com certeza, quando é dia ou quando é noite.
— Por que estas palavras? — perguntou o deus supremo.
— Porque me parece que a noite quando chega, trazendo-te consigo, me traz um dia ainda mais claro e brilhante do que aquele que está partindo, apenas isto.
Os dois amantes abraçaram-se, e após um longo beijo, Sêmele, tornando-se séria, tomou o rosto de Júpiter em suas mãos.
— Meu querido, preciso que você me dê uma prova de seu amor.
— Prova de amor? — exclamou Júpiter, surpreso. — Para quê?
— Não importa; apenas prometa. Prometa pelo Estige que me dará tal prova. Só assim poderei ter sossego em minha alma e confiar plenamente em você.
Júpiter relutou durante um longo tempo. Jurar pelo Estige — o mais irrevogável dos juramentos -, e tudo apenas por um capricho feminino!
— Está bem, eu prometo — disse Júpiter, afinal.
— Vamos, pelo Estige... — disse Sêmele. — Diga, por favor...
Júpiter acedeu, contrariado, e fez o juramento. Sêmele, aliviada, foi até o fundo do quarto e parou, com um ar misterioso estampado no rosto.
— Quero agora uma prova definitiva de que você é mesmo o Júpiter que tanto amo — disse ela, com o ar subitamente decidido.
— Do que está falando, criatura?
— Mostre-se agora, diante de mim, tal qual é! Júpiter ficou paralisado.
Não, aquilo não podia ser verdade. Ela devia estar brincando, ou então louca. Claro, só uma louca lhe pediria uma coisa destas. E ele sabia perfeitamente que não poderia fazer isto sem destruí-la.
Júpiter chegou a abrir a boca para lhe explicar o motivo, mas subitamente deu-se conta de que o destino da pobre moça já estava selado, pois ele havia feito o juramento fatal. Nada poderia fazer com que ele voltasse atrás — mesmo que ela mudasse de opinião ou tentasse anular sua vontade anterior.
"Finalmente verei o que mortal algum antes viu", pensou a jovem, extasiada.
Júpiter, pesaroso, afastou-se um pouco, embora soubesse que era um ato inútil. Depois, concentrou-se e fez com que suas formas humanas fossem lentamente se apagando. Ao mesmo tempo uma luz, a princípio muito tênue, foi brotando do seu corpo, em dourados feixes, como se um segundo sol estivesse a nascer dentro dele.
Sêmele deu-se conta, subitamente, do que estava para acontecer, quando viu a vaporosa cortina atrás do deus desaparecer como num sopro, e uma nuvenzinha de fagulhas ser expulsa pela janela, impelida pelo vento.
— Não, Júpiter... Não! — gritou a pobre jovem, mas já era tarde demais. Uma bola de chamas irrompeu de dentro da forma humana do pai dos deuses e se expandiu por todo o quarto; relâmpagos espalhavam-se em todas as direções e um fragor intenso de chamas devorando tudo abatia-se sobre a jovem infeliz.
— O, maldita Béroe! — gritava Sêmele, ajoelhada, com a cabeça oculta e os ouvidos tapados. — Béroe e a minha maldita desconfiança foram a minha perdição!
Caiu no chão o corpo chamuscado e já sem vida de Sêmele. Dentro dela, porém, sem que ela tivesse sequer sabido, ainda pulsava outra vida.
Júpiter, dando-se conta disso, retirou do ventre da amante morta o produto divino dos seus amores: um bebê, muito jovem ainda, mas que respirava. Sim, ele respirava! Júpiter, antes que o palácio inteiro ardesse, retomou sua forma humana e, fazendo um talho na própria perna, introduziu o pequeno e delicado ser dentro de sua própria coxa.
"Não poderia encontrar um refúgio mais seguro", pensou Júpiter, que já era capaz de se alegrar outra vez, com a descoberta daquele agradável consolo.
— Afinal, para alguém que já gestou um ser em sua própria cabeça, gestar outro em sua coxa não será coisa tão penosa... — disse o deus supremo, indo embora.
E foi assim que dali a algum tempo veio ao mundo Baco, o único deus cujos pais não eram ambos divinos, sendo filho de uma divindade com uma bela mas infeliz mortal.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 09h53
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Título original
THOU ART THAT TRANSFORMING RELIGIOUS METAPHOR
© Joseph Campbell Foundation
© Para a língua portuguesa no Brasil:
Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda.
Joseph Campbell
ISTO ÉS TU Redimensionando a metáfora religiosa
Seleção e Prefácio
Eugene Kennedy
Kennedy: "Mito" ainda é um termo confuso para muitas pessoas. Talvez pudéssemos começar dando uma explicação um pouco mais detalhada a respeito.
Campbell: O mito tem muitas funções. A primeira delas podemos chamar de mística, na qual o mito faz uma conexão entre a nossa consciência desperta e o todo do mistério do universo. Esta é sua função cosmológica. Permite-nos ver a nós mesmos na relação com a natureza, como quando falamos do Pai Celestial e da Mãe-Terra. O mito também tem uma função sociológica, pela qual ele sustenta e dá validade a uma certa ordem social e moral para nós. A narrativa dos Dez Mandamentos entregues a Moisés por Deus no monte Sinai é um exemplo disso. Em último lugar, o mito possui uma função psicológica, pela qual ele nos oferece um caminho para fazer a travessia e lidar com os vários estágios do nascimento à morte.
Kennedy: Você escreveu sobre a dificuldade de um sistema mitológico ser capaz de dialogar com um mundo que se tornou tão diversificado. Os mitos agrários e de caça que outrora falavam a todos não são mais tão facilmente aplicáveis. Mas você também disse que, mediante alguma reflexão, podemos entender que as antigas histórias de heróis e suas aventuras são o mesmo que nossa busca contemporânea pelo significado.
Campbell: Sim, mitos provêm da imaginação criativa que nós todos partilhamos, e a narrativa que cada um de nós reconhece em nossa própria busca de significado espiritual forma um paralelo com todas as lendas de heróis, como os cavaleiros da Távola Redonda, que precisavam viajar para um mundo desconhecido e travar batalhas com os poderes das trevas a fim de retornarem com o dom do conhecimento.
Kennedy: Estamos, de acordo com muitos observadores, num ponto crítico em matéria de consciência religiosa, quer dizer, a estrutura mitológica — ou as lendas que respaldam uma interpretação bíblica literal — está sendo desafiada pelas descobertas da Era espacial.
Campbell: Sim, é exatamente o que está acontecendo, com as conseqüências que todos nós podemos ver. É preciso lembrar a verdade central, por exemplo, a respeito da Páscoa e da Pesach judaica. Somos todos convocados a escapar da casa da servidão, como os judeus foram convocados a escapar da servidão no Egito. Somos convocados a nos libertar da servidão do modo que a lua arroja sua sombra para emergir nova, do modo que a vida arroja a sombra da morte. A Páscoa e a Pesach têm as mesmas raízes. Somos intimados a escapar da servidão de nossa antiga tradição. A Páscoa não é Páscoa e a Pesach não é Pesach, a não ser que nos libertem até mesmo da tradição que nos dá tais festas.
A Páscoa e a Pesach são símbolos primários daquilo com que defrontamos na Era espacial. Somos desafiados tanto mística quanto socialmente porque nossas idéias do universo foram reorganizadas devido à nossa experiência no espaço. A conseqüência é que não podemos mais nos firmar nos símbolos religiosos que formulamos quando pensávamos que a Terra era o centro do universo.
Kennedy: Você está dizendo que o poder perene do mito é que ele pode deixar de lado uma formulação — tal como a noção pré-copernicana de uma Terra aqui embaixo e um Céu lá em cima — e, mesmo assim, reter e renovar sua força. Isso significa que estamos experimentando a verdade mitológica no próprio desafio de renunciar à compreensão religiosa do universo que é muito intensa no imaginário judaico-cristão. E que a experiência Páscoa-Pesach exige que façamos isso.
Campbell: A Páscoa e a Pesach fazem com que experimentemos em nós mesmos uma convocação para escaparmos de uma servidão, sim, mas o fato de experimentá-las não destrói a tradição religiosa. O entendimento desses símbolos em seu sentido espiritual transcendente nos capacita a ver e possuir nossas tradições religiosas de maneira nova. A Era espacial exige que mudemos nossas idéias sobre nós mesmos, mas nós queremos nos agarrar a elas. Esta é a razão de haver um ressurgimento da ortodoxia antiquada em tantas áreas na atualidade. Não há horizontes no espaço e não pode haver horizontes em nossa própria experiência. Não podemos nos agarrar a nós mesmos e aos nossos grupos internos como fizemos uma vez. A Era espacial impossibilita tal coisa, mas as pessoas rejeitam essa exigência ou não querem pensar sobre isso. E assim recuam para uma igreja verdadeira, para o poder negro, ou para os sindicatos, ou para a classe capitalista.
Kennedy: Então a Era espacial desafia tudo que nos torna centrados na Terra ou centrados no grupo.
Campbell: A Páscoa e a Pesach oferecem os símbolos perfeitos porque significam que nós somos conclamados para uma nova vida. Esta nova vida não está muito bem definida, razão pela qual queremos nos prender ao passado. A jornada para esta nova vida — e é uma jornada que todos temos que realizar — não pode ser empreendida a não ser que deixemos o passado. A realidade de viver no espaço significa que renascemos, não que nascemos de novo para uma religião dos tempos antigos, mas para uma nova ordem de coisas. Não há horizontes, este é o significado da Era espacial. Estamos numa queda livre para dentro de um futuro que é misterioso. Ele é muito fluido e isto é desconcertante para muitas pessoas. Tudo que você tem a fazer é saber como usar um pára-quedas.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 09h50
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http://projeto2012.wordpress.com/
acho interessante verificar as palestras e os livros virtuais que informam, além das informações que não vemos em outras mídias.
Por que 2012?
existem atualmente mais de 1.100.000 sites * no google com as palavras “2012 end”
existem atualmente mais de 1660 vídeos * no YouTube com as palavras “2012 end”
existem atualmente mais de 60 livros * em inglês que falam sobre um grande acontecimento para o ano de 2012
a partir de 2008 as catástrofes naturais se itensificaram no planeta. Só em maio mais de 3 vulcões entraram em atividade simultanemante. Nos primeiros dias de maio mais de 150.000 pessoas morreram vítimas de um terremoto na China e um ciclone em Mianmar. Até mesmo o Brasil passou a ter terremotos e mini tornados. O estado do Ceará registrou mais de 800 abalos desde o dia 28 de janeiro deste ano, segundo a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A informação é que tremores de terra são comuns nessa região, mas não com essa intensidade.
a ONU inaugurou no inicio de 2008 um “Cofre do fim do mundo“ que visa proteger sementes do mundo todo diante de uma catástrofe global.
existem diversas profecias, principalmente entre os Maias e Egípcios que dão a data exata de 2012 para o fim de um mundo e inicio de um outro. E não são simples profecias, mas cálculos exatos baseados em conhecimentos astronômicos que nossos cientistas ainda desconhecem (leia o ebook o Código de Óriom)!
todas religiões e crenças espiritualistas apontam para um fim e recomeço, e para elas isto está muito perto.
A atividade solar está anormalmente alta (causa do aquecimento global). Segundo pesquisas, o Sol nunca se mostrou tão turbulento nos últimos 12.000 anos, pelo menos.
a NASA em seu site aponta para o ano de 2012 a pior tempestade solar dos últimos anos.
Nosso escudo contra a radiação do sol, o campo eletromagnético, está se rompendo misteriosamente (isto é o fato anterior a inversão dos polos)
Se onde há fumaça, há fogo, então…
* dados levantados pela equipe Projeto2012.com em 9/05/2008
(atualizado em 22-5)
Ok, mas se entrarmos 2013 e nada acontecer?
Você não vai perder nada, só vai ganhar. O mundo hoje já é caótico, daqui há 5, 10, 20 anos, será 1000x mais caótico.
Preparando-se hoje mesmo para o pior em 2012, você automaticamente cria um “apocalipse” interno. Vai refazer toda a forma como lida com a vida. Estará preparado para suportar qualquer tipo de problema e desafio. Diante de uma dificuldade, não vai chorar ou abaixar a cabeça como um covarde, mas sim arregaçar as mangas e buscar uma solução rápida como um guerreiro.
Preparar-se fisicamente, psicologicamente e espiritualmente para o pior, é sem dúvida a decisão mais sábia que você deveria fazer a partir de hoje.
Mas a pergunta que nós devolvemos a você é: e se em 2012 houver de fato uma catástrofe de nível global?
Você estaria pronto fisicamente, psicologicamente e espiritualmente para mudar drásticamente a forma como vive a vida?
A maioria dos céticos, os que debocham de nosso site, aqueles que dizem que 2012 é bobagem, que tem a soberba de afirmar 100% que nada vai ocorrer, como se pudessem prever com 100% de certeza o futuro, serão os primeiros a se desesperar e jogar a toalha diante de uma mudança radical em todo planeta.
Se nós não podemos garantir com 100% de certeza que em 2012 (ou antes ou depois) vai ocorrer esta mudança radical em nossa forma de viver, nós (e ninguém) também não podemos afirmar que não vai ocorrer.
É esta incerteza que nos motiva a prepararmos fisicamente, psicologicamente e espiritualmente para os “novos tempos”.

Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 19h08
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"Apesar de ao filho escolhido o pai 'um dia [ter ensinado] a fazer assim', ele deixa como legado ao primeiro o peso das 'bagagens da vida', um filho que jamais poderá ocupar o lugar do pai, e que o filho situa como um 'falimento'. Porém, mesmo nessa leitura temática e superficial, resta a indagação sobre os pólos da transmissão: é o pai que naufraga no exílio da canoa, ou o filho que afunda à e na margem, sem poder ouvir a fala deste outro? A lógica que preside a essa indagação também merece ser interrogada: trata-se, de fato, de um ou outro, ou deve-se pensar a transmissão à luz do que Maurice Blanchot, em seu ensaio 'Freud', diz a respeito do empreendimento de Lacan: "ele mostra que o essencial da análise é a relação com o outro, nas formas tornadas possíveis pelo desenvolvimento da linguagem.'" (BLANCHOT, 1999, p.111)
BLANCHOT, M., "Freud", Essaim Revue de Psychanalyse 4, Paris, Ères, 1999, p.105-116.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 02h57
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