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Se eu quiser falar com Deus
Gilberto Gil
Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sós Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz Tenho que encontrar a paz Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus Se eu quiser falar com Deus Tenho que aceitar a dor Tenho que comer o pão Que o diabo amassou Tenho que virar um cão Tenho que lamber o chão Dos palácios, dos castelos Suntuosos do meu sonho Tenho que me ver tristonho Tenho que me achar medonho E apesar de um mal tamanho Alegrar meu coração Se eu quiser falar com Deus Tenho que me aventurar Tenho que subir aos céus Sem cordas pra segurar Tenho que dizer adeus Dar as costas, caminhar Decidido, pela estrada Que ao findar vai dar em nada Nada, nada, nada, nada Nada, nada, nada, nada Nada, nada, nada, nada Do que eu pensava encontrar Se eu quiser falar com Deus

foto minha
A música cantada de Elis me deixa em suspenso.
O pólen crava na pele sensível. Na cal duro cai sem temer a uniformidade. Nada perene... A saliva jorrada dentro dos elementos traz a cor tonal. Nos estreitos secos enxarcados de um sentimento de nada.
A mão enxerga o nódulo na cal, os olhos sofrem da morte das células. incisiva,a alergia crítica faz seu papel de transferir os sentidos.
Sentado na cadeira de rodas, a vida se mistura com um metal, alongando o corpo, modificando além de toda uma sensação de vida.
vale o que será,
na morte densa e rápida dos sentidos. grito. revôo.recrio a dor.
como será o momento de uma morte requerida... Devaneio cristalino...
Gemas – estrelas da terra.
afonso alves
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 00h49
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Reflexos...
JBConrado
http://www.ayruman.com.br/

Manchas. Autora: Nerina
http://www.ayruman.com.br/
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 15h55
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A LEITURA COMO OBJETO DO OLHAR
Pouco se falou da obra de Wlademir Dias-Pino, entre a literatura e as artes visuais, estranho poeta concreto nos anos 50, desconfiado e crítico com relação à objetividade construtiva. Existe um problema central na produção gráfica e poética deste artista: a didática da leitura, uma didática não linear contra o mito da retina. Poeta, pintor, programador visual, um dos inventores da poesia concreta e do poema processo, Wlademir nasceu no Rio de Janeiro em 1927, onde vive atualmente depois de residir por um longo período em Cuiabá. Publica seu primeiro livro em 1940 "A Fome dos Lados" (edições Cidade Verde, Cuiabá Mato Grosso). Poeta da palavra que já pensava a linguagem como problema central da poesia.
"Aqui está a mancha do assassinado livre agora era bom e é livre sua mancha horizontal e leve como são leves as coisas horizontais."
"A Máquina Que Ri", "A Máquina ou A Coisa em Si", "Os Corcundas", livros editados em Cuiabá nas décadas de 1940 e 1950 que mostram um poeta desconfiado do progresso tecnológico, rebelde com a semântica, introduzindo na poesia um vocabulário estranho e perturbador.
"Teus olhos têm o brilho de flecha - Um eco polido de rolar Nossa ânsia nos une como sombras."
"O homem examina seu tédio como se fosse um dedo."
"Que pluma esses dentes de engrenagem até ao tédio tamanho mapa, mapa de ferro ruminando que raiva igual toda andaime logo de febre e também aço outras coisas quase humana, quase hélice."
A partir de 1956, depois de participar da exposição de lançamento do concretismo no Brasil, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o trabalho poético de Wlademir assume a radicalmente o visual como estrutura do poema, "A Ave", um livro objeto/poema foi um novo desdobramento na composição e na visualidade da poesia concreta, superando a própria poesia visual. Leitura do ponto de vista da poesia visual pode ser o método mais fácil de consumir o trabalho de Wlademir e disfarçar o enigma indecifrável fora do saber do olhar. São imagens, espaços que se indagam, construídos como sabedoria do olhar e da geometria para a ginástica da reflexão e emoção do olhar. Desenhos silenciosos, traçados com um repertório construtivo, utilizado de forma crítica e sarcástica, buscando tensionar a higiênica visualidade concreta com outras geometrias, como a escrita indígena.
"Além do fluxo de informações próprio à época de sua formação, o repertorio de Wlademir Dias Pino recebeu elementos através do contato peculiar e significativo com fatos e com um conjunto de repertórios, o que contribuiu para que seus trabalhos por ocasião da Poesia Concreta apresentassem uma universalidade resultante de uma atividade inventiva que marcaram as particularidades de sua produção." (Álvaro de Sá)
Momentos de inversão em plena euforia do otimismo da arte e da poesia concreta. Um poeta da dessacralização do poético com o culto à máquina, mas uma máquina rebelde, uma "máquina que rir" e não produz. A pintura de Wlademir é constituída de sintágmas visuais contraditórios, relacionados ironicamente, na corda bamba entre o rigor e o humor. Espaços cortados e re-significados por segmentos de retas obedecendo a uma noção de economia da cor e do desenho. Entre equilíbrios e desequilíbrios, uma ambigüidade trabalhada e uma pluralidade de leituras com tendência ao excesso. O prazer de ver sem a necessidade de decifrar.
No trabalho de Wlademir existe um olhar voltado para organizar a inteligibilidade do mundo visual, como sistema de relações de saber. Questionando e re-significando espaços gráficos construídos de forma livre da ortodoxia construtiva, somados com elementos provenientes do figurativo, tratados como formas plásticas. Uma visualidade para o estranhamento do olhar. Espaços planos assimétricos, profundidade imaginável, carregados de problemas para a imaginação do olhar interior, que nos fala Merleau-Ponty, resolvê-los. São de ordem da própria trama da visualidade.
O livro foi um instrumento crítico utilizado por Wlademir, este objeto cheio de mistérios que oculta com a sedução de seus signos o processo de sua confecção. Rigorosamente programados, uma forma experimental de paginar e manipular o conteúdo gráfico, o gesto comum de virar a página, nos livros planejados por Wlademir é sempre uma surpresa e um trabalho que motiva se pensar sobre o livro como coisa produzida para ser manuseada.
"A Ave" é um livro para se pensar sobre o livro e a leitura. A perfuração, a cor, os gráficos, sugerem a idéia de uso como meio de decodificação, ironizando a utilidade do olhar e das mãos. - "Assim quando começamos "A Ave", estávamos participando do Movimento Intensivista em Cuiabá; e muito nos preocupava o problema da colocação da palavra nos vértices (dobradiças) do espaço (o nível ou altura da palavra no suporte do papel significava a potencialidade)", W.D.P.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 15h50
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O MUNDO VISUAL DE WALDEMIR DIAS-PINO
A Imagem quer sonhar seu próprio passado, recordar, recriar. Acumula informações e contradições: o novo e o arcaico. Dos traços rupestres depositados nas paredes das cavernas aos códigos virtuais da janela do computador, um mergulho na origem e no desenvolvimento da escrita. O projeto é fazer uma enciclopédia visual. O trabalho que propõe o poeta Wlademir Dias–Pino, um dos criadores da poesia concreta que comemora 50 anos em 2006, é construir uma história da imaginação da mão e do olho. Um lugar de meditar sobre a natureza das imagens apropriadas e transformadas em matéria prima para outras imagens, que oferecem ao pensamento um mundo. Wlademir, "na sua seriedade de um dos mais perspicazes pesquisadores visuais no Brasil" (Antonio Houaiss), interroga os signos visuais como sabedoria, ou seja, a utilização e organização do visual como "coisa mental", lembrando Leonardo da Vinci.
"Precisamos compreender que a mão, assim como o olho tem seu devaneio e sua poesia." (Gaston Bachelard)
A mão do poeta inventa e relaciona imagens, mobiliza o pensamento de quem olha na busca de uma história, ou melhor, de uma pré-história das artes gráficas e sua poética. Uma performance da visualidade que viaja no tempo e exige de nós uma contemplação provocante. Elas são apenas o que desejam ser, imagens; mas estimulam a imaginação a ver um certo universo que habita o signo. Quem olha com atenção descobre as confidências de um "artesão" que não desconhece o raciocínio das mãos. O olhar acaba por projetar sobre o que vê: uma história, uma lenda, ao percorrer toda a superfície gráfica. Vivendo entre Cuiabá e Rio de Janeiro em 1974, Wlademir lança "A Marca e o Logotipo Brasileiros" que poderia ser o primeiro volume desta audaciosa Enciclopédia Visual. Mais do que um estudo de marcas e logotipos é um rico repertório de imagens.
Almandrade (poeta, artista plástico e arquiteto)
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 15h48
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O centro do labirinto.
Jacob Klintowitz
Eu não sei se Horacio Kleinman é um criador de galáxias e se ele refaz o mito primeiro, o da invenção do universo. O que percebo é que a sua escultura nos apresenta um mundo desconhecido e fascinante. Inventado ou revelado, talvez não importe tanto, pois a própria criação humana sempre parte do existente. Por cerca de três séculos a língua portuguesa utilizou uma distinção entre creação e criação, a primeira para designar a manifestação divina a partir do nada e a segunda para qualificar o ato humano. Hoje nos dizem que era uma distinção arbitrária e sem sentido e os dicionários atuais registram apenas “criação”, o que está de acordo com a etimologia do termo. A minha confiança na sabedoria de Antonio Houaiss é quase ilimitada, mas não posso deixar de assinalar o quanto me agradava a arbitrariedade que perdurou por 300 anos e a suspeita de que esta atitude voluntariosa tinha uma funda significação. De qualquer maneira, a nossa imaginação não fica totalmente desamparada já que a ciência acredita na mônada primeva que se desdobrou e deu origem ao universo conhecido. Que ponto será este, capaz de conter tudo o que podemos conceber como existente ?
Há exatos 11 anos a escultura de Horacio Kleinman que, em suas volutas, curvas e cavernas, continha cenas humanas, me intrigou e mergulhei na sua simbologia, o que resultou num livro, “O homem no labirinto”. Agora o escultor descobriu novos materiais de trabalho e o seu recorte encantado da realidade floresceu com a aquisição de elementos pictóricos. O artista reencontrou a sua juventude de pintor e este acréscimo tornou a sua escultura um ser com novo fulgor. A memória do artista quando se torna presente dota a obra de inesperadas luzes.
Em que materiais inovadores podem ajudar o artista ? Mais do que simples suporte da arte, seguidamente os artistas buscam novos materiais como instrumentos para expressar idéias novas. A intuição vem antes da matéria. No caso de Kleinman, além do bronze e do mármore, técnicas nas quais já demonstrara o seu domínio, agora temos esculturas feitas em Grancrete, um novo material inventado nos Estados Unidos que tem características únicas de resistência, impermeabilidade e duração mínima de 100 anos. É um material único, utilizado até agora para situações extremas, imerso na água ou na terra e com tempo de endurecimento não acima de 20 minutos. Haverá melhor material para uma escultura exposta ao tempo?
O mundo kleinmiano é feito de surpresas, ocultas personagens, cenas estáticas que nos esperam desde sempre, cenários dentro de cenários, comentários a partir de uma estrutura e, atualmente, nos parece, que nestas esculturas se repete o fenômeno deslumbrante que já encontramos na história da pintura, o de uma janela que dá para o exterior. A pintura de interior continha uma paisagem externa. O mundo se abria infinitamente na nova era da Renascença. Em Kleinman, na sua obra, numa estrutura feita, em boa parte, para o exterior, a janela se abre para uma cena interiorizada. Nesta escultura, tão apropriada para estar ao ar livre, o homem olha para dentro e se investiga infinitamente.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 15h48
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A beleza tem apenas uma origem: a ferida, singular, diferente para cada um, oculta ou visível, que o indivíduo preserva e para onde se retira quando quer deixar o mundo para uma solidão temporária, porém profunda. Há, portanto, uma diferença imensa entre essa arte e o que chamamos miserabilismo. A arte de Giacometti parece querer descobrir essa ferida secreta de todo ser e mesmo de todas as coisas, para que ela os ilumine.
JEAN GENET, O Atelier de Giacometti (Cosac & Naif)

sem autor...
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 10h34
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Voie
quel est ce chemin qui nous sépare à travers lequel je tends la main de ma pensée une fleur est écrite au bout de chaque doigt et le bout du chemin est une fleur qui marche avec toi
Via
qual é este caminho que nos separa através do qual eu retenho a mão de meu pensamento uma flor está escrita ao final de cada dedo e o final do caminho é uma flor que caminha contigo
Tristan Tzara
Tradução: Virna Teixeira
Em: Bifurcação/ Tristan Tzara. Espectro Editorial, 2006.
Pele
Dócil vestimenta diária, Não podes manter sem dano A infalsificável superfície jovem. Deves aprender teus vincos – Raiva, contentamento, sono; Os poucos sinais ameaçadores
Do contínuo áspero Arenoso vento – o tempo; Deves crestar, afrouxar Em um velho saco Portando um nome empanado. Resseca, então; enruga; decai;
E me perdoa, que Não encontrei, quando eras nova, Alguma festa fabulosa Onde exibir-te, como as Roupas são feitas para isso, Até que a moda mude.
Skin
Obedient daily dress, You cannot always keep That unfakable young surface. You must learn your lines – Anger, amusement, sleep; Those few forbidding signs
Of the continuous coarse Sand-laden wind, time; You must thicken, work loose Into an old bag Carrying a soiled name. Parch then; be roughened; sag;
And pardon me, that I could find, when you were new, No brash festivity To wear you at, such as Clothes are entitled to Till the fashion changes.
Philip Larkin
Tradução: Luiz Roberto Guedes
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 10h33
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Montando a Roda da Cura
"Roda de Cura... Poder dos Cristais...
Dá-me a graça de aprender a lição
Da minha vida neste momento,
A capacidade para reconhecer que nunca estou só.,.
Roda de Cura, abre meu coração
E tira dele o medo e a desesperança.
Devolve-me a coragem e a força,
O meu poder pessoal.
Coloca em minha alma a alegria, o prazer
E o Fogo Sagrado da vida".
Derval Gramacho
Derval Gramacho e
Victória Gramacho
Magia Xamânica
O Tambor
O tambor é a imitação das batidas do coração humano e representa, para os xamãs, o pulsar da própria Terra, seu ritmo, o som sagrado de suas entranhas. Por isso, é o instrumento que facilita o acesso à cura e sustenta a abertura do coração do homem quando ele se conscientiza da necessidade de transformar os padrões cristalizados em seu próprio caminhar.
Antropólogos e pesquisadores acreditam que o tambor surgiu ainda na Era Glacial. O homem primitivo teria percebido que o seu som criava um ritmo coletivo, grupal, mágico, aglutinador. E até hoje nativos e etnias em todo o mundo usam o tambor para despertar a energia e o poder em cada um dos participantes de cerimônias e rituais, seja na Sibéria, África ou Brasil, seja na índia, Japão ou Tibet.
A energia coletiva gerada a partir do seu ritmo pode ser direcionada para apoiar rituais de cura, orações, viagens xamânicas ou jornadas. O tambor, chamado de canoa do xamã, é o seu guia nos mundos paralelos da consciência alterada e sua batida constante e monótona atua como uma onda mensageira, primeiro para ajudar o curandeiro a entrar no transe e depois para sustentá-lo em sua viagem. E como o tambor conecta o coração da pessoa que empreende esta jornada com a batida do coração da Mãe Terra, isso lhe garante uma maneira segura de voltar ao corpo físico. Seu uso evita que o curador se perca na realidade xamânica ou perca seu próprio equilíbrio ao vivenciar os mundos paralelos.
Pesquisas científicas demonstram que o tambor "produz modificações no sistema nervoso central. O estímulo rítmico afeta a atividade elétrica em muitas áreas sensórias e motoras do cérebro que não costumam ser afetadas através de suas conexões com a área sensória que está sendo estimulada", diz o especialista em xamanismo, Michael Harner.
O nível de freqüência dos chocalhos — os maracás dos nativos brasileiros — é mais alto. Juntos, tambor e chocalho se complementam, sustentando e dando forma a uma rede de sons que ilumina o curador em sua busca pela alma, energia, saúde e equilíbrio.
Os tambores xamânicos aparecem em diversas formas: rasos, com um só tampo, duplo, com dois tampos de pele, o africano, que fica em pé e também tem o couro de um lado só.
Pesquisas de diversos estudiosos, a exemplo de Andrews Neher, revelam que a indução sônica do tambor pode afetar o alinhamento da freqüência cerebral com estímulos auditivos externos e que esse alinhamento pode reequilibrar o sistema nervoso central. Melinda Maxfield descobriu que o ritmo do tambor facilita o acesso às imagens de conteúdo ritualístico e cerimonial existentes na psicomitologia de cada indivíduo, facilitando a cada pessoa o caminho para chegar à cura e à ajuda e transformar patologias.
Para se compreender melhor o que os pesquisadores descobriram é preciso entender as freqüências das ondas cerebrais, medidas normal mente por meio do eletroencefalograma (EEG). A freqüência das ondas é medida em ciclos por segundo, ou Hertz (Hz), e pelo comprimento da onda. Elas se apresentam em quatro tipos:
Delta, abaixo de 4 Hz, a mais longa e lenta; está associada ao sono ou inconsciência.
Teta, de 4 a 8 Hz, está associada a estados de sonolência próximos da inconsciência, os períodos antes de despertar ou adormecer. Considerada ainda como os estados de devaneios e imagens hipnológicas ou semelhantes às que surgem no sonho. Manter a consciência neste estado só com treinamento, como a meditação.
Alfa, de 8 a 13 Hz, está relacionada com os estados de relaxamento e bem-estar geral. Esta freqüência é produzida na região occipital do cérebro (córtex visual) quando os olhos estão fechados. A consciência está alerta, embora não concentrada, ou está concentrada no mundo interior.
Beta, além de 13 Hz, associa-se à atenção ativa e concentração no mundo exterior e também nos estados de tensão, ansiedade, medo e diante do perigo.
Na maioria dos casos, o ritmo do tambor xamânico situa-se na freqüência monótona de três a quatro batidas por segundo, o que coloca a pessoa no estado de freqüência Delta. No entanto, este não é o único ritmo e ele pode mudar a depender da intenção do ritual ou cerimônia. Os índios Salish, por exemplo, usam uma freqüência de quatro a sete batidas por segundo, freqüência da onda Teta no cérebro humano.
O uso do tambor nas jornadas e rituais xamânicos é indispensável e bem diferente das demais formas de uso deste instrumento. A literatura etnográfica notifica que a utilização do tambor nas atividades religiosas seculares é tão diversificada quanto as culturas que o empregam em seus rituais, cerimônias, festas comemorativas, celebrações, cura e sacrifício, ritos de passagem, declarações de guerras, iniciações, etc.
Em muitas tradições se diz que os xamãs usam o tambor para, em estado alterado de consciência, entrar em outros reinos e realidades, interagindo com o mundo espiritual em benefício de sua comunidade. Os senhores do êxtase, como também são conhecidos, afirmam que dirigem seu tambor pelo ar, que ele é seu cavalo, sua ponte de arco-íris entre os mundos físico e espiritual.
Algumas culturas usam o tambor aliado com outros instrumentos (chocalhos, ressonância de varetas, ossos, metais e cantos, especialmente cantilenas. repetição de sons monótonos, sem variações) como técnica para alcançar uma ligação com a cura ou obter orientação espiritual.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 17h46
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Dizem as paredes/4
Em pleno centro de Medellín: A letra com sangue entra. Embaixo, assinando: Carrasco alfabetízador. Na cidade uruguaia de Melo: Ajude a polícia: torture-se.
Num muro de Masatepe, na Nicarágua, pouco depois da queda do ditador Somoza:
Vão morrer de saudades, mas não voltarão.
Invejas do alto céu
Os maias crêem que no começo da história, quando os deuses nos deram nascimento, nós, os humanos, éramos capazes de ver além do horizonte. Então estávamos recém-fundados, e os deuses atiraram pó em nossos olhos para que não fôssemos tão poderosos.
Eu pensei nessa inveja dos deuses, quando soube que meu amigo René Zavaleta tinha morrido. René, que tinha uma inteligência deslumbrante, foi fulminado por um câncer no cérebro.
De câncer na garganta tinha morrido, meio século antes, Enrico Caruso.
Notícias
Os macacos confundem Gato Félix com Tarzã, Popeye devora suas latas infalíveis, Berta Singerman geme versos no Teatro Solís, a grande tesoura de Geniol corta os resfriados, de um momento a outro Mussolini vai invadir a Etiópia, a frota britânica concentra-se no canal de Suez.
Página após página, dia após dia, o ano de 1935 vai desfilando frente aos olhos de Pepe Barrientos, na Biblioteca Nacional. Pepe está buscando sei lá qual dado na coleção do jornal Uruguay, a estréia de um tango ou o batizado de uma rua ou coisa parecida, e o tempo inteiro sente que esta não é a primeira vez, sente que já viu o que está vendo agora, que já passou por aqui, passou antes por aqui, por estas páginas, o cine Ariel estréia um filme de Ginger Rogers, no Artigas a pequena Shirley Temple dança e canta, uma flanela molhada em Untisal cura a dor de garganta, um navio arde em chamas a cento e cinqüenta milhas destas costas de Montevidéu, uma bailarina de reputação duvidosa amanhece assassinada, Mussolini pronuncia seu ultimato. Guerra! Vem aí a guerra!, clama uma enorme manchete. Sim, Pepe já viu. Sim, sim: esta foto, o goleiro feito pomba voadora atravessando a página, o chute de Cea dobrando as mãos do goleiro, essas letras: talvez na infância, pensa. Surpreende-se de tão longa viagem da memória: em 1935, há mais de meio século, ele tinha seis anos. E então, de repente, é tocado pelo medo, as unhas geladas do medo roçam sua nuca, e ele tem certeza de que deve ir embora, e tem certeza de que vai ficar. E assim continua. Poderia mudar de jornal, ou de ano, ou simplesmente poderia caminhar até a porta de saída, mas continua. Pepe continua, chamado, não pode ir embora, não pode parar, e o Penarol ganha e sua grande figura é Gestido, e foi firmada a paz entre o Paraguai e a Bolívia mas o problema dos prisioneiros ainda não foi resolvido, e uma tormenta afunda barcos no Canal da Mancha, e foi preso o assassino da bailarina, que era o seu amante e que levava oito centavos no bolso no momento de sua detenção, e o remédio Himrod é garantido contra a asma, e de repente a mão de Pepe, que acaba de virar a página, fica paralisada, e uma foto golpeia sua cara: uma foto aberta em seis colunas, o caminhão tombado e arrebentado, a imensa foto do caminhão, e ao redor do caminhão um enxame de curiosos vendo o fotógrafo, olhando para Pepe que olha os curiosos, que não os vê: Pepe com os olhos cegos de lágrimas vendo a foto do caminhão onde seu pai morreu esmagado numa trombada espetacular que comove o bairro La Teja, em Montevidéu, ao meio-dia do dia 18 de setembro de 1935.
A morte
Nem dez pessoas iam aos últimos recitais do poeta espanhol Blas de Otero. Mas quando Blas de Otero morreu, muitos milhares de pessoas foram à homenagem fúnebre feita numa arena de touros em Madri. Ele não ficou sabendo.
Titulo original: El libro de los abrazos Primeira edição em junho 1991.
Tradução: Eric Nepomuceno
Revisão: Ana Teresa Cirne Lima, Ester Mambrini e Valmir R. Cassol
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 17h42
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A Conrad Livros do Brasil traz Sandman the dream hunters: os caçadores de sonhos, um livro ilustrado, com roteiro de Neil Gaiman (considerado um dos maiores roteiristas de quadrinhos dos últimos anos) e desenhos do artista japonês Yoshitaka Amano.

Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 17h15
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No Mercador de Veneza Shakespeare faz uma alusão à metempsicose, quando Graciano diz a Shylock:
Levas-me quase a renegar a fé
E a crença pitagórica adotar
Segundo a qual dos animais a alma
Em corpo humano entra; teu espírito,
Vindo de um lobo, morto por castigo
De homicídio, em teu corpo refugiou-se.
E lupino, rapaz, sanguinolento.

Alexei Jawlensky German, born Russia, 1864-1941
Girl with the Green Face, 1910
Oil on composition board 20 15/16 x 19 9/16 in. (53.1 x 49.7 cm) Signed, u.l.: "a. jawlensky" Gift of Mr. and Mrs. Earle Ludgin in memory of John V. McCarthy, 1953.336
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 17h01
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Arquitetura poética
Wladimir Dias Pino
DE PRIMEIRO AS CHOUPANAS
LIGADAS NA UNIDADE TOLA
DAS RIMAS SECAS QUE NEM PALMAS;
DEPOIS OS SOBRADOS
DE FANTASMAS SIMBOLISTAS
E O SONETO DE SACADA ROMÂNTICA;
DERREPENTE OS ARRANHA-CÉUS;
SOBRE O CUBISMO DOS TELHADOS
PICOTADOS DE JANELAS ACESAS
NA EXPERIÊNCIA MODERNISTA,
COM O ELEVADOR SUBINDO
EM FERRO, SANGUE E VELOCIDADE.
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 18h23
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"Canção de Brinde", Longfellow assim descreve a marcha de Baco:
Dos faunos o cortejo alegre e rude
Rodeia Baco, cuja fronte a hera
Cinge, como a Apolo, e a quem espera,
Como a Apolo, a eterna juventude.
Em torno ao jovem deus, lindas bacantes,
Címbalos, tirsos, plantas carregando,
Da embriaguez se mostram presa, quando
Bem alto entoam versos delirantes.
o poema "Comus" de Milton. A história de Circe será encontrada no Capítulo XXIX.
Baco, o primeiro das rubras bagas
Soube extrair o sedutor veneno,
Pelos nautas toscanos conduzido,
De Circe à ilha foi levado (Circe
Filha do sul, quem há que não conheça?
Circe que transformava os que bebiam
Por sua taça em porcos repelentes).
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 18h17
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PRESENTE
Hoje eu quero me fazer o seu presente,
envolto numa bondade maior para lhe amar...
Hoje eu me prometo lhe amar, não como eu quero,
mas como Você sabe me ensinar o amor.
Eu a amarei, assim, em seus pequenos transes de trégua,
como um simples pastor saboreia
toda harmonia da noite lunar,
na doçura da planície que contempla e vive.
Eu amarei Você,
sobretudo aprendendo mais do amor com
que me ama, no silêncio iluminado de sua face gotejando
em mim seu outro ar de amor ardendo astúcias, só suas...
Eu amarei Você, com a mesma ardida ansiedade
das minhas noites de vigília...
Hoje eu amarei Você, como se eu,
um presente,
tivesse mais beleza do que a paz
como que Você me inunda...
Silva Freire - 1964
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 23h36
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SILVA FREIRE
- no lusco-engano da madrugada
treme na mão de
Nhonhô de Manduca
Um luzir de vela de sebo/
pinga
Pingando de promessa...
OS
MENINOS
DE
SÃO BENEDITO
- nos 233 anos de tradição do Povo - nos 81 anos de fundação da Irmandade
Grande Cuiabá/1978
- raiado o sol
que(i)madura
pequeno cabo-verde
inaugura a liberdade do tanque do baú
no mergulho que ri
púa e
borbulha...
- num escondido
do
parquinho do araés
esse menino
proibido
inventa de três pedrinhas
o encanto da solidão
- na conchinha da mão esquerda
/pião de bateia/
baguàzinho repeneira
no imã do dedo
granitinhos de outro achados
no aluvião
da ilusão...
- num batiqué
entupido de corguinho/
ditinho vigia o à-ufa de lambaris
/priscando de anzolinhos/
pra gente esturricar nos dentes
fresquinhos de fritos na hora
- atrás do paliçado
miro sapeca a língua
na raspagem do quema tacho
supimpa de curau
amarelinho de milho verde
Escrito por Afonso H. Rodrigues Alves às 23h31
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